ENTREVISTA COM O MINISTRO GEDDEL VIEIRA LIMA
 
09/02/2010 09:29  

Há apenas oito meses das eleições para governador do estado, o Cara a Cara com Bocão trouxe o candidato Geddel Vieira Lima para uma conversa franca, onde o atual ministro fez críticas ao Governo Wagner e contou um pouco sobre suas intenções para melhorar a Bahia.


 


Como o Senhor avalia o Governo Wagner, agora chegando a reta final? Acredita que a participação de secretários da base do PMDB foi um bom momento do Governo?




Já está demonstrado que a Bahia não tem sabido aproveitar o bom momento econômico do Brasil. O estado tem perdido oportunidades. É só comparar com o que vem ocorrendo em Pernambuco e Ceará. Lá o volume de investimentos tem sido muito maior e gerado mais empregos. Enquanto Pernambuco consegue reduzir os índices de homicídios, a Bahia assiste a violência crescer. Enquanto Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte apresentam média do Enem acima da média do Nordeste, a Bahia segue na contramão, com a educação sustentada na alfabetização de adultos, projeto louvável mas o estado precisa lembrar que a educação desde a infância é que é a prioridade, sob pena de estarmos criando sempre novos clientes para oTopa. Quanto à participação do PMDB no governo estadual, fizemos a nossa parte. Os secretário do PMDB deixaram realizações importantes, como o complexo viário do aeroporto de Salvador por exemplo, mas poderiam ter feito muito mais se tivessem mais apoio do governador. O partido entregou um documento mostrando ao governador onde poderíamos desenvolver mais o trabalho das secretarias conduzidas pelo PMDB. O governador sequer leu.




O senhor acredita que se for eleito, fará um governo diferente e mais eficaz? Em que aspectos principalmente?




Não seria candidato se soubesse exatamente onde posso atuar para aumentar o ritmo do desenvolvimento da Bahia. No Ministério da Integração tenho feito isso, pela Bahia e pelo Brasil. Estamos transformando projetos em obras, vencendo as dificuldades, cumprindo metas e prazos. Me sinto feliz, inclusive, de ver o reconhecimento do presidente Lula quando ele fala publicamente dos avanços no seu governo conquistados através do Ministério da Integração. Sobre em que aspectos quero melhorar a Bahia, digo que em todos. Vejo a Bahia na sua grande perspectiva de modernizar-se, com vocações regionais que precisam ser desenvolvidas, com estímulo ao empreendedorismo, com a criação de condições para melhorar seus serviços públicos através da implantação da meritocracia junto aos nossos servidores, premiando o empenho, a assiduidade e o comprometimento. Há muito que fazer para melhorar a educação, a saúde a segurança. Vamos desenvolver esse debate durante a campanha.




O senhor tem usado bastante o Twitter como uma forma de “desabafo” para assuntos do dia-a-dia e sempre faz criticas ao Governo Wagner. A repercussão que está sendo gerada era a esperada?




Creio que sim. O Twiter, para mim, é uma ferramenta ágil na interação com as pessoas, com os formadores de opinião, com os jovens. Você pode ver que falo de tudo no twitter e os comentários políticos, claro, fazem parte. Quanto às críticas ao governo estadual, são feitas, mas sempre buscando o debate para melhorarmos as coisas na Bahia.




O Ministro também já criticou algumas vezes a segurança do Estado no seu Twitter. A que o senhor atribui a essas questões de “insegurança pública”, como se combate a violência?




Quisera Deus que fosse somente eu a criticar a segurança pública na Bahia. A situação está insustentável. O combate imediato a este estado de coisa começa por um cumprimento adequado do orçamento para a segurança pública, com a remuneração para a força policial condizente com a natureza e o risco do seu trabalho, com a modernização dos equipamentos de combate ao crime, desde as viaturas até os recursos eletrônicos e de informática. A polícia comunitária e a implantação de sistema de câmeras em áreas já configuradas como de ação constante dos marginais, já adotada com excelentes resultados em diversas cidades brasileiras, aqui sequer chegou a ser discutida. Existem os meios, existem os métodos, existem recursos, existem experiências bem sucedidas em outros estados e outros países que poderíamos já ter implantado. Por que Pernambuco, Rio, São Paulo estão conseguindo reduzir a criminalidade e a Bahia não? É uma questão de gestão.




O Senhor chegou a citar no Twitter também que o Governo perdeu o controle. Essas críticas feitas pelo senhor ao Governador são em relação ao seu governo ou questões pessoais também entram em questão? A relação de amizade entre os dois ainda existe?




Tenho divergência políticas com o governador, não inimizade.




Recentemente, o instituto de pesquisa Vox Populi divulgou o resultado para o governo do estado em 2010 e segundo os dados, o governador Jaques Wagner (PT) está à frente da disputa com 44% das intenções de votos, seguido de Paulo Souto (DEM) com 29% das intenções. E tendo o ministro ultimamente criticado bastante o atual governo em relação à administração, a que o senhor atribui estar em terceiro colocado na preferência dos baianos para governar o Estado?




Estamos a oito meses das eleições. O que se registra agora é uma vaga “intenção de voto”. Esta pesquisa da Vox, por exemplo, revela que 68% dos baianos não sabem em quem vai votar para governador. Isso se mostra na votação espontânea, que registra o chamado voto consolidado.