Estamos, críticos mortais e que não se julgam donos da verdade, diante praticamente de dois extremos de jogadas de alto risco. É como o médico que vai fazer uma cirurgia e não sabe dizer ao paciente nem à sua família se vai dar certo ou não. Só sabe que é o caminho mais apropriado para extirpar enfermidades. Falo do mítico que a maioria de companheiros levanta com respeito à contratação de Renato Gaúcho pelo Bahia e da esperança que se cria sobre os ombros de Ricardo Silva, elevado de interino a titular no comando do Vitória. Tanto rubro-negros quanto tricolores estão tentando um novo projeto de vida muito elogiáveis: na Toca a idéia é enxugar a máquina, contratando poucos e bons reforços, confiando em um técnico que não ande inventando muito; no Fazendão, diante de tantos anos de desacertos, entendem que chegou a hora de traçar um perfil mais arrojado.
São duas tentativas muito válidas – e até coerentes -, mas os meus princípios recomendam prudência, para não ter que desfazer tudo que for dito ou escrito agora. O nosso futebol é pródigo de exemplos marcantes: o atacante Muriqui, só para citar um dos mais recentes, saiu daqui escorraçado, com carretas passando por cima dele, com ironia de tudo que era facção da torcida e expressões muito amargas de competentes colegas de mídia – inclusive eu disse várias vezes que não era jogador para andar tentando ser titular do Vitória. E sabem o que está acontecendo com este rapaz? Depois do excelente campeonato que fez pelo Avaí/SC, agora não é só Palmeiras, Vasco e Grêmio quem disputam o seu concurso, mas, também, o Sporting de Lisboa está oferecendo 4,5 milhões de euros, algo muito acima dos R$ 10 milhões, para ele se transferir para o Além-Mar.
Então, gente, eu prefiro apostar na prudência. Continuo achando que Renato sabe muito de bola, mas ainda precisa se firmar como um treinador bem diferente do que é atualmente, sempre de férias no Rio e, não raras vezes chamado para ser tampão do Fluminense ou do Vasco, com algum sucesso, mas, também, com vários desencontros profissionais; e Ricardo, que como interino tem sido competente, vai ter que mostrar agora como é que age comandando integralmente um time de elite como é o presente Vitória.
Torço pelos dois, acho-os capacitados, mas por enquanto me permitam olha-los sob a ótica da expectativa. |